Os recursos exclusivos do Galaxy ajudam a explicar por que muitos usuários permanecem fiéis aos celulares da Samsung mesmo diante da constante evolução do iPhone. Multitarefa real, modo PC, carregamento reverso, cofre nativo, personalização profunda e clonagem de apps são pontos que, até hoje, não ganharam equivalente oficial no ecossistema da Apple.
Neste especial, detalhamos cada funcionalidade, mostramos como ela surgiu, para quem faz sentido e quais são as implicações práticas no dia a dia. O objetivo é oferecer ao leitor uma visão completa de por que essas soluções representam vantagem competitiva para a linha Galaxy – e, ao mesmo tempo, pressionam a Apple a inovar.
O cenário competitivo entre Samsung e Apple
Samsung e Apple dividem a liderança do mercado global de smartphones há mais de uma década. Enquanto a Apple aposta no controle rígido de hardware e software para criar experiências integradas, a Samsung investe em diferenciais baseados no sistema operativo Android, personalizando a interface One UI e adicionando funções próprias. Esse equilíbrio de forças beneficia diretamente o consumidor, que vê funcionalidades exclusivas nascerem para conquistar novos públicos e fidelizar quem já é cliente.
Nesse embate, nem sempre a Apple chega primeiro. Funções como tela sensível ao toque multitoque, assistentes virtuais e biometria em smartphones foram popularizadas pela própria Apple, mas a coreana também dita tendências, principalmente quando o assunto é explorar o sistema aberto do Google. A seguir, você confere seis recursos exclusivos do Galaxy que resumem bem a estratégia da marca sul-coreana.
1. Multitarefa com tela dividida real
A multitarefa em smartphones Android existe há anos, mas a Samsung foi uma das primeiras a torná-la intuitiva para o grande público. Na One UI atual, o usuário pode abrir dois aplicativos lado a lado ou sobrepostos em janelas flutuantes, ajustar o tamanho de cada área de trabalho e até salvar o layout favorito para reabrir depois com um toque. Tudo funciona com fluidez, inclusive em aparelhos intermediários, graças a otimizações de software realizadas desde a época da linha Galaxy Note.
No iPhone, a Apple oferece alternância rápida entre apps, funções de arrastar e soltar e o modo Picture-in-Picture para vídeo; porém, a possibilidade de manter duas aplicações totalmente ativas, compartilhando o mesmo espaço de tela de forma interativa, continua ausente. Essa limitação pesa para profissionais que precisam copiar informações entre planilhas e e-mails, acompanhar videoaulas enquanto anotam dados ou, simplesmente, comparar preços em duas lojas diferentes em tempo real.
Além do ganho de produtividade, a Samsung integra a tela dividida com gestos intuitivos. Basta deslizar três dedos ou usar o menu lateral Edge Panel para escolher quais aplicativos ficarão em cada lado. O recurso também conversa com o Samsung DeX, facilitando a continuidade do trabalho em um ambiente de desktop, tema do próximo tópico.
2. Samsung DeX: o modo PC portátil
Lançado inicialmente em 2017, o Samsung DeX nasceu como um acessório físico, mas evoluiu para funcionar via cabo ou até de forma totalmente sem fio em monitores e televisores compatíveis. Quando ativado, o smartphone exibe uma interface semelhante à de um sistema operacional de desktop: área de trabalho, barra de tarefas, múltiplas janelas redimensionáveis e atalhos de teclado.
Com o DeX, quem viaja pode transformar o celular em estação de trabalho improvisada. Basta levar um cabo HDMI-USB-C na mochila e contar com qualquer monitor disponível no destino. O sistema reconhece teclados e mouses Bluetooth, pendrives em formato OTG e consegue abrir planilhas, apresentações ou navegadores com várias abas, tudo sustentado pelo processador do telefone.
O iPhone, por sua vez, permite espelhar a tela via AirPlay ou cabo Lightning/USB-C. Entretanto, a imagem exibida é a mesma interface do celular em formato vertical, sem janelas independentes ou otimização para resolução de monitores externos. A inexistência de um modo desktop nativo limita a usabilidade do iOS nessa categoria de produtividade.
Entre executivos, estudantes e criadores de conteúdo, o DeX ganhou espaço porque reduz a necessidade de carregar notebook. Somado à crescente potência de chips como o Snapdragon e o Exynos de última geração, o recurso se tornou argumento de venda relevante em feiras de tecnologia e campanhas publicitárias da Samsung.
3. Carregamento reverso sem fio (PowerShare)
Introduzido nos flagships da linha Galaxy S10, o Wireless PowerShare permite que o smartphone funcione como powerbank. Ao ativar a função nas configurações rápidas, o usuário coloca na traseira do aparelho um dispositivo compatível com padrão Qi – relógios inteligentes, fones de ouvido ou outro celular – e observa a transferência de energia iniciando automaticamente.
Em emergências, o recurso pode ser a salvação: imagine chegar ao aeroporto com o Galaxy carregado, mas com o estojo dos fones Bluetooth zerado. Em poucos minutos de PowerShare, o acessório ganha carga suficiente para durar várias horas de voo. E, se a bateria interna do telefone atingir nível crítico durante o processo, o sistema interrompe o repasse de energia para preservar autonomia mínima.
A Apple há anos trabalha nos bastidores em tecnologia semelhante. Documentos de homologação nos Estados Unidos chegaram a sugerir hardware preparado para carregamento bilateral a partir do iPhone 12. Contudo, até a geração atual, a função permanece desativada por software ou restrita a recarregar a própria case do MagSafe Battery Pack, algo que não se compara à flexibilidade do método aberto adotado pela Samsung.
4. Pasta Segura: cofre nativo blindado
Segurança digital ganhou relevância com o aumento de golpes, clonagem de perfis e vazamento de dados sensíveis. Para enfrentar esse cenário, a Samsung oferece a Pasta Segura (Secure Folder), recurso que cria ambiente criptografado dentro do aparelho. Nele, é possível instalar apps duplicados, armazenar documentos, fotos e gravações longe do armazenamento principal, exigindo senha, PIN ou biometria para acesso.
A diferença em relação a simples “áreas ocultas” é o isolamento profundo: aplicativos presentes na Pasta Segura não compartilham cookies, histórico ou dados de login com a instância original. Dessa forma, o usuário pode, por exemplo, manter perfil bancário isolado das demais atividades do aparelho, reduzindo a superfície de ataque em casos de malware.
No ecossistema Apple, a proteção se concentra no hardware dedicado Secure Enclave, no sistema de permissões e na criptografia ponta a ponta de serviços iCloud. Embora exista opção de ocultar fotos e bloquear notas por senha, o iOS não dispõe de cofre que permita clonar apps com banco de dados independente dentro do mesmo sistema. Usuários avançados acabam recorrendo a serviços de terceiros ou criando contas separadas, solução menos elegante.
Imagem: (Imagem/Reprodução)
5. Personalização profunda da One UI
A customização faz parte do DNA do Android. A Samsung, contudo, eleva esse conceito com a suíte Good Lock, Theme Park e demais módulos que permitem alterar animações, painéis, tipografia, cores de interface, disposição de botões e comportamento de gestos. Na prática, cada Galaxy pode ficar com identidade visual única – recurso bastante valorizado por quem enxerga o celular como extensão de personalidade.
O avanço do iOS em personalização é inegável desde a introdução de widgets redimensionáveis, biblioteca de aplicativos e telas de bloqueio dinâmicas. Entretanto, a Apple mantém rígido controle sobre elementos como grade de ícones, central de controle e área de notificações. Para muitos usuários vindos do Android, a ausência de liberdade criativa continua sendo ponto de frustração no iPhone.
Vale lembrar que personalização não se limita a estética: configurações detalhadas de gestos e atalhos podem aumentar a acessibilidade para pessoas com deficiência motora ou visual. Nesse sentido, os recursos exclusivos do Galaxy oferecem vantagem não apenas em estilo, mas também em inclusão digital.
6. Dual Messenger: clonagem oficial de aplicativos
Ter duas contas em serviços de mensagem tornou-se algo comum – uma para trabalho, outra pessoal. Em vez de depender de versões web ou de “gambiarras” internas, a Samsung criou o Dual Messenger, que duplica aplicativos compatíveis e garante que cada instância opere com base de dados separada. Dessa forma, notificações, mídias e histórico não se misturam.
A interface de configuração do Dual Messenger é simples: ao detectar apps elegíveis, o sistema exibe botão para instalar a segunda via. Os ícones recebem distintivo laranja, permitindo identificar rapidamente qual conta está em uso. O recurso cobre WhatsApp, Telegram, Messenger, entre outras plataformas populares, e pode inclusive manter bancos diferentes no mesmo aparelho, desde que o desenvolvedor não bloqueie a prática.
No iOS, a Apple delega tal flexibilidade aos próprios aplicativos. Alguns, como o Telegram, suportam múltiplos perfis nativamente; outros, como o WhatsApp, restringem o uso a uma única conta. Sem suporte do sistema, o usuário precisa recorrer a aparelhos secundários ou versões Business, o que nem sempre atende a todos os cenários.
Por que a Apple ainda não adotou esses diferenciais?
A razão principal está na filosofia de design da Apple, conhecida por priorizar simplicidade, consistência e, acima de tudo, controle da experiência do usuário. Implementar multitarefa em tela dividida ou clonagem de apps demandaria mudanças na forma como o iOS gere processos em segundo plano, memória e permissões. O mesmo se aplica ao carregamento reverso, que exigiria ajustes de eficiência energética rigorosos para não comprometer a reputação de bateria do aparelho.
Além disso, a Apple prefere lançar soluções quando acredita ter alcançado maturidade suficiente para evitar frustrações. Foi assim com o 5G, widgets e always-on display, recursos que chegaram tardiamente, porém integrados de maneira coesa. Por outro lado, o mercado mostra que funções já consolidadas na concorrência costumam criar expectativa no ecossistema iOS, pressionando a empresa a agir.
Impacto na decisão de compra
Entender os recursos exclusivos do Galaxy é crucial para quem avalia trocar ou adquirir novo celular. Para profissionais que passam horas em planilhas e conversas corporativas, a multitarefa real somada ao DeX pode eliminar a necessidade de notebook. Usuários que lidam com dados sensíveis encontram na Pasta Segura e na personalização de permissões um nível extra de tranquilidade. Já o Dual Messenger se mostra essencial para pequenos empreendedores e freelancers que conciliam vários perfis de contato.
No âmbito de hardware, a Samsung ainda oferece diferenciais como caneta S Pen nos modelos Ultra e dobráveis com tecnologia Flex Mode. Entretanto, tais aspectos fogem ao escopo deste artigo, focado em funções de software que estão ao alcance de quem possui qualquer Galaxy compatível, inclusive séries A intermediárias.
Perspectivas futuras
Rumores indicam que o iOS 18 pode trazer avanços em inteligência artificial local, o que abre portas para multitarefa avançada e possivelmente novos modos de exibição externa. Já o carregamento reverso está cada vez mais perto de se tornar realidade, graças a melhorias em eficiência de chips Apple Silicon e no design térmico dos iPhones.
Do lado da Samsung, a coreana explora realidade mista, integração com laptops Windows via Galaxy Book e expansões do DeX em nuvem. A marca investe também em camadas de segurança como Knox Vault, que complementam a Pasta Segura, e em mais opções de personalização orientadas por IA, capazes de criar temas completos a partir de imagens geradas no dispositivo.
Conclusão
Enquanto não há garantia de que a Apple irá adotar todas essas soluções, a existência dos recursos exclusivos do Galaxy impulsiona a concorrência e mantém o mercado de smartphones dinâmico. O resultado direto é um ciclo de inovação constante, no qual cada fabricante busca resolver problemas reais do usuário, seja por meio de hardware diferenciado, seja por software engenhoso.
Para o consumidor, conhecer em detalhes as possibilidades oferecidas pela Samsung, bem como as limitações ainda presentes no iOS, pode ser decisivo na hora de definir qual aparelho colocar no bolso. Afinal, mais do que números de benchmark, são as pequenas facilidades do dia a dia – ver dois apps na mesma tela, carregar um fone sem tomada à vista ou esconder documentos em cofre blindado – que transformam um simples smartphone em ferramenta indispensável.
Com informações de TechTudo