Em mais de três décadas de história, o ecossistema Linux foi palco de distribuições que introduziram conceitos decisivos, mas que não resistiram ao tempo. Do primeiro sistema “live” em CD-ROM a clones corporativos gratuitos, relembre cinco projetos que marcaram época e acabaram descontinuados.
Yggdrasil levou o Linux ao CD-ROM e criou o conceito de live boot
Lançada em 1992, a Yggdrasil Linux/GNU/X chegou quando rodar um sistema operacional direto do CD-ROM ainda soava futurista. O usuário podia avaliar compatibilidade de hardware e experimentar a interface gráfica sem instalar nada no disco rígido — um salto frente aos disquetes “root-boot” que circulavam na época. Custando US$ 99 (ou nada, se o software do comprador fosse incluído na mídia), a distro oferecia Unix a preço acessível numa era dominada por DOS, Windows e pacotes comerciais caríssimos como o Xenix.
SLS foi a primeira distribuição comercial, mas a enxurrada de bugs gerou Debian e Slackware
No mesmo ano, Peter MacDonald lançou a Softlanding Linux System (SLS) com o lema “pouso suave para quem abandona o DOS”. Disponível em fita, CD ou mais de 30 disquetes, reunia kernel, utilitários GNU e servidor X. A implementação, porém, era tão instável que a comunidade reagiu criando alternativas melhor mantidas. Ian Murdock fundou o Debian, enquanto Patrick Volkerding deu origem ao Slackware. Ambos seguem ativos, ao contrário da SLS, cuja última versão saiu em 1994.
CentOS ofereceu Red Hat Enterprise Linux sem custo até ser substituído pelo CentOS Stream
Quando a Red Hat migrou o foco para o mercado corporativo em 2003, a comunidade recompilou o código-fonte aberto e lançou, em 2004, o Community Enterprise Operating System (CentOS). O sistema se tornou padrão em servidores web graças à compatibilidade binária com o RHEL e à ausência de taxas de licença. Anos depois, a própria Red Hat passou a apoiar o projeto, mas em 2020 encerrou o modelo estável clássico e introduziu o CentOS Stream, versão rolling release posicionada “acima” do RHEL. A decisão impulsionou forks como Rocky Linux, AlmaLinux e reforçou a oferta do Oracle Linux.
MkLinux levou o pinguim aos Macs PowerPC combinando Linux e micro-kernel Mach
Antes do macOS baseado em NeXT, a Apple patrocinou, junto à Open Software Foundation, o desenvolvimento do MkLinux em 1996. O objetivo era testar opções para substituir o envelhecido System 7 enquanto o projeto Copland patinava. A distribuição rodava sobre o micro-kernel Mach, aproveitando processadores PowerPC presentes em desktops e notebooks da empresa. Com o retorno de Steve Jobs e a adoção do NeXTSTEP, o projeto perdeu relevância, mas o site oficial ainda sobrevive em tom nostálgico, completo com pinguim dançante em 3D.
Imagem: Lucas Gouveia
Yellow Dog adaptou o Red Hat para Macs e até para o PlayStation 3
Também focada em PowerPC, a Yellow Dog Linux apareceu em 1999 baseada no Red Hat Linux. Oferecia ao público técnico da Apple uma alternativa de código aberto e, anos depois, ganhou notoriedade ao ser uma das poucas distribuições a funcionar no PlayStation 3 graças ao recurso “OtherOS”. A troca de arquitetura dos Macs para Intel em 2006 — e depois para Apple Silicon — além da remoção do OtherOS pela Sony, reduziram o público-alvo. Ainda assim, o gerenciador de pacotes YUM criado no projeto acabou adotado em várias distros Red Hat-like antes de ser sucedido pelo DNF.
Ideias permanecem mesmo quando a distribuição acaba
Apesar de terem saído de cena, essas distribuições deixaram legados técnicos — de sistemas “live” a gerenciadores de pacotes — que continuam presentes em projetos atuais. No universo open source, o conhecimento raramente se perde: ele é apenas incorporado a iniciativas mais novas.
Fonte: How-To Geek