Os comandos PowerShell rápidos vêm se revelando a alternativa mais direta para resolver, em questão de minutos, problemas de armazenamento, lentidão, excesso de aplicativos e falhas de rede no Windows 10 e no Windows 11.
Neste guia completo, reunimos os quatro comandos mais práticos – e totalmente nativos do sistema – capazes de diagnosticar e corrigir as dores de cabeça mais recorrentes que atormentam usuários domésticos e profissionais.
Por que recorrer ao PowerShell antes de abrir dezenas de menus
PowerShell é o interpretador de linha de comando criado pela Microsoft para automatizar tarefas e fornecer acesso direto a centenas de recursos do sistema operacional. Diferentemente do Prompt de Comando clássico, ele trabalha com objetos, permitindo filtrar, combinar e ordenar informações em tempo real. Para quem só quer “apertar um botão” e voltar ao trabalho, a maior vantagem está na economia de cliques: um único comando revela o que ficaria escondido em várias janelas de configuração.
Nas próximas seções, você vai descobrir:
- Como identificar rapidamente quais pastas ocupam a maior fatia do seu SSD;
- Como listar e remover aplicativos que nunca são utilizados;
- Quais instruções zeram a pilha de rede quando a conexão insiste em cair;
- Como localizar processos que afogam CPU e memória, causando lentidão geral.
1. Diagnosticar o vilão do armazenamento em segundos
Quando o Windows avisa que resta pouca capacidade no drive principal, a reação típica é abrir Configurações > Sistema > Armazenamento e tentar descobrir, categoria por categoria, onde eliminar megabytes. O caminho oficial funciona, mas exige paciência e ainda pode ocultar diretórios gigantes por trás de filtros genéricos como “Outros”.
O comando abaixo, executado no PowerShell como administrador, aponta exatamente quais pastas estão “engordando” o disco. Basta trocar o caminho entre aspas pelo local a ser analisado – pode ser todo o C:, a pasta de usuário ou qualquer diretório de rede.
Get-ChildItem "C:UsersSeuNome" -Directory | ForEach-Object {
$size = (Get-ChildItem $_.FullName -Recurse -File -ErrorAction SilentlyContinue |
Measure-Object Length -Sum).Sum
[PSCustomObject]@{
Folder = $_.FullName
SizeGB = [math]::Round($size / 1GB, 2)
}
} | Sort-Object SizeGB -Descending
O script percorre, de forma recursiva, cada subpasta, soma o tamanho total dos arquivos e devolve uma lista ordenada em gigabytes. Dessa forma você sabe, sem adivinhações, onde concentrar esforço: talvez uma pasta com vídeos antigos, uma biblioteca de jogos ou backups locais do smartphone. A partir daí, basta abrir o Explorador de Arquivos diretamente no alvo identificado e excluir, mover ou comprimir o que for necessário.
2. Limpar o catálogo de aplicativos esquecidos
Ao longo dos meses, o Windows acumula softwares instalados pelo próprio usuário, por fabricantes de hardware ou embutidos em atualizações. Muitos desses programas ficam invisíveis no dia a dia, mas rodam serviços em segundo plano ou ocupam espaço precioso. Para enxergar rapidamente o inventário de aplicativos associados à sua conta, digite:
Get-AppxPackage | Select-Object Name, PackageFullName
A instrução lista todos os pacotes do Microsoft Store e componentes nativos. Se precisar localizar algo específico, recorra ao caractere curinga *:
Get-AppxPackage *MicrosoftTeams*
Quando tiver certeza de que o pacote pode ser removido sem impacto, aplique:
Get-AppxPackage *MicrosoftTeams* | Remove-AppxPackage
Nesse ponto, vale ressaltar que certos nomes pouco conhecidos são essenciais ao funcionamento do sistema – leitor de PDF integrado, componentes de segurança ou drivers de câmera, por exemplo. A recomendação é copiar o PackageFullName, pesquisar rapidamente na web e confirmar se realmente é supérfluo antes de remover.
3. Restaurar a rede em um ciclo de comando e reinicialização
Quedas de internet que aparecem em um computador, mas não nos demais dispositivos, costumam ter origem local: DNS corrompido, Winsock alterado ou pilha TCP/IP danificada por alguma atualização. Em vez de reinstalar adaptadores manualmente pelo Gerenciador de Dispositivos ou clicar no botão “Redefinir rede” – que força uma reinstalação completa e não raro requer reconfigurações – experimente esta sequência no PowerShell com privilégios de administrador:
ipconfig /flushdns netsh winsock reset netsh int ip reset
O primeiro comando limpa o cache de DNS, eliminando registros de endereços que podem ter expirado. O segundo redefine o catálogo Winsock, responsável pelo gerenciamento de conexões. Já o terceiro recria as configurações de interface TCP/IP. Depois de executar as três linhas, reinicie o computador para que as modificações se consolidem. Na maioria dos casos, a navegação volta a funcionar sem que você precise trocar o cabo ou reiniciar o roteador.
4. Descobrir o verdadeiro culpado pela lentidão
Quando alguém descreve um PC como “lento”, a definição é vaga: pode ser sobrecarga de CPU, falta de RAM, disco próximo de 100 % de uso ou programas no startup. Embora o Gerenciador de Tarefas ofereça gráficos em tempo real, às vezes o processo que causou o gargalo já saiu de pico quando você abre a janela. Para obter um ranking acumulado de consumo, utilize:
Get-Process | Sort-Object CPU -Descending | Select-Object -First 10
O resultado, ordenado pelo tempo total de processamento desde o boot, revela aplicações que podem não estar visíveis, mas operam com intensidade constante. Se a preocupação for a memória RAM, troque o critério:
Imagem: Lucas Gouveia
Get-Process | Sort-Object WorkingSet -Descending | Select-Object -First 10
Com essas informações, você decide se encerra o processo via Stop-Process, desinstala o software ou gerencia o item em Inicializar. O importante é sair do campo do “achismo” e trabalhar com dados concretos.
Etapa a etapa: como executar cada comando com segurança
Para evitar erros de permissão ou interrupções abruptas, siga o passo a passo padrão:
- Clique em Iniciar, digite “PowerShell”.
- No resultado, selecione Executar como administrador.
- Caso apareça o controle de conta de usuário (UAC), clique em “Sim”.
- Cole o comando desejado e pressione Enter.
- Analise a saída antes de tomar qualquer ação definitiva.
Essa prática simples garante que você tenha acesso completo aos recursos do sistema sem tropeçar em mensagens de “acesso negado”.
Quando os métodos gráficos ainda valem a pena
Embora os comandos PowerShell rápidos ofereçam clareza e economia de tempo, eles não substituem por completo as interfaces visuais. Em cenários que exigem configuração detalhada – atribuir DNS manual, ajustar o modo de economia de energia ou definir permissões NTFS – os painéis de configuração permanecem essenciais. O objetivo, portanto, não é abolir os cliques, mas ter uma rota mais enxuta para diagnósticos imediatos.
Dicas finais para manter o Windows enxuto e estável
Além dos quatro comandos centrais, adotar uma rotina de manutenção preventiva ajuda a evitar emergências:
- Reserve um momento mensal para revisar as pastas identificadas como grandes consumidoras de espaço;
- Desinstale games experimentais e demos assim que deixar de usá-los;
- Evite instalar complementos de navegador e extensões de procedência duvidosa, pois muitas criam serviços residentes;
- Mantenha o Windows Update ativo – apesar de eventuais bugs, os patches corrigem falhas de segurança que podem, indiretamente, afetar desempenho;
- Utilize antivírus confiável; malwares costumam sequestrar CPU, memória e até o stack de rede.
O aprendizado por trás de cada linha de comando
Mesmo que o objetivo inicial seja apenas copiar e colar, entender a estrutura do comando aumenta sua autonomia. Por exemplo:
Get-ChildItemlista arquivos e pastas;Measure-Object -Sumsoma o tamanho total de todos os elementos listados;Sort-Object -Descendingclassifica em ordem decrescente;Select-Object -First 10exibe apenas os dez primeiros registros;Remove-AppxPackageremove aplicativos instalados pelo Microsoft Store.
Ao reconhecer esses blocos, você consegue adaptá-los: trocar CPU por Handles, listar somente arquivos maiores que 500 MB, ou limitar a busca a extensões específicas. Assim, os exemplos viram ponto de partida para soluções personalizadas.
Impacto no dia a dia: produtividade e autonomia
Para quem administra vários computadores – seja em home office, laboratório escolar ou pequena empresa – padronizar ações em PowerShell reduz tempo de suporte. Em vez de guiar cada usuário por uma lista de cliques, basta enviar os comandos por e-mail ou executar via sessão remota. Ganha-se agilidade sem comprometer a segurança, pois tudo acontece dentro das diretrizes do próprio Windows.
Considerações de segurança ao usar o PowerShell
Os comandos apresentados são seguros, mas é importante manter a Execution Policy do PowerShell em nível restritivo, evitando que scripts desconhecidos rodem automaticamente. Use Get-ExecutionPolicy para consultar a configuração atual e, se necessário, aplique Set-ExecutionPolicy RemoteSigned para permitir apenas scripts locais não assinados.
Conclusão: menos achismo, mais objetividade
Os comandos PowerShell rápidos representam o atalho mais eficiente para diagnosticar e resolver quatro das reclamações mais comuns no Windows: disco cheio, excesso de aplicativos, conexão instável e performance abaixo do esperado. Dominar essa minúscula coleção de instruções significa substituir tentativas e erros por dados diretos, economizando horas e evitando frustração.
Na próxima vez que o sistema alertar sobre falta de espaço, que o navegador travar a cada página ou que o notebook demorar cinco minutos para ligar, abra o PowerShell, execute o comando correspondente e observe o resultado. Em poucos minutos, a causa do problema ficará evidente – e a solução, a um clique de distância.
Com informações de How-To Geek