Manter o sistema operacional livre de arquivos obsoletos é tarefa indispensável para garantir desempenho, segurança e espaço para novos projetos. A Limpeza profunda no Ubuntu começa com a compreensão de quais recursos do disco são consumidos em segundo plano e termina com a execução de comandos pontuais, capazes de devolver vários gigabytes em poucos minutos.
Neste guia, você encontrará instruções detalhadas, testadas tanto no Ubuntu quanto em outras distribuições Debian-based, como Linux Mint. Todas as orientações respeitam os números e procedimentos verificados na fonte original, mas contam com explicações adicionais, recomendações de boas práticas e observações de segurança pensadas para o leitor brasileiro.
Ao final, você saberá o que remover, quando remover e por que cada passo faz diferença no seu cotidiano — seja em um desktop de uso doméstico, seja em um servidor que não pode sofrer paradas inesperadas. Vamos ao passo a passo.
1. Desinstalar aplicativos que você não usa
A primeira etapa de qualquer Limpeza profunda no Ubuntu é eliminar aplicações que deixaram de ser úteis. Cada programa instalado ocupa não apenas espaço em /usr e em /opt, mas também mantém dependências, serviços e arquivos de configuração que consomem memória, processador e largura de banda em atualizações futuras.
No terminal, existem duas formas clássicas de listar tudo o que está instalado:
• dpkg –list
• apt list –installed
Embora precisas, essas listas podem ultrapassar milhares de linhas, incluindo pacotes de sistema que não devem ser removidos sem estudo. Por isso, a recomendação prática é abrir a Central de Programas (no Ubuntu) ou o Gerenciador de Software (no Linux Mint) e filtrar manualmente aquilo que você reconhece e não precisa.
Caso prefira o modo texto, o comando abaixo faz a remoção direta. Basta substituir programa-1 programa-2 programa-3 pelos nomes desejados:
sudo apt-get remove programa-1 programa-2 programa-3
Lembre-se de que o apt resolve dependências automaticamente. Portanto, se um pacote for essencial para outro programa que você ainda utiliza, o gerenciador alertará antes de prosseguir.
2. Esvaziar o cache do APT
O gerenciador de pacotes APT armazena, por padrão, todos os .deb baixados em /var/cache/apt. Esse repositório funciona como uma cópia local; útil caso você precise reinstalar rapidamente um pacote sem conexão com a internet. Contudo, em máquinas que são atualizadas com frequência, o diretório pode virar um “buraco negro” de centenas de megabytes.
Para verificar o espaço ocupado, digite:
sudo du -sh /var/cache/apt
No teste replicado da matéria de origem, o diretório chegou a 600 MB. Nas distribuições atuais, não é incomum encontrar valores ainda maiores, especialmente depois de grandes upgrades de versão.
Se o número for significativo para você, execute:
sudo apt-get clean
O comando remove completamente os pacotes armazenados, deixando apenas 44 KB, segundo a medição feita no artigo base. Caso deseje impedir que o cache cresça novamente, edite o arquivo /etc/apt/apt.conf.d/02nocache com a seguinte linha:
APT::Keep-Downloaded-Packages “false”;
Isso garante que, no futuro, apenas os arquivos necessários para a instalação imediata permaneçam no disco.
3. Eliminar pacotes órfãos e kernels antigos
Quando removemos um programa via apt-get remove, muitas vezes suas dependências continuam instaladas, pois podem ser compartilhadas por outras aplicações. Entretanto, conforme a pilha de programas é modificada, alguns desses pacotes tornam-se “órfãos”, sem conexão com nada que esteja em uso.
Para limpá-los de maneira segura:
sudo apt-get autoremove
A mesma instrução elimina núcleos (kernels) obsoletos que se acumulam após cada atualização. Um kernel pode ultrapassar 60 MB, e, somado às suas dependências, chega facilmente a centenas de megabytes. Em sistemas não limpos há meses, é normal recuperar de 1 GB a 3 GB de espaço.
Nunca remova manualmente o kernel em execução. O autoremove preserva o kernel atual e o imediatamente anterior, fornecendo uma camada de segurança caso algo dê errado na próxima reinicialização.
4. Reduzir o tamanho dos logs do systemd
Desde a adoção do systemd, o Ubuntu passou a registrar eventos de boot, autenticação, rede e muito mais no journald. Esses logs são inestimáveis para diagnosticar problemas, mas raramente fazemos consultas de meses atrás. Ao longo do tempo, eles podem chegar a alguns gigabytes.
Primeiro, confira a dimensão do arquivo:
journalctl –disk-usage
No ambiente de testes mencionado, o journal media mais de 3 GB. Para limitar a retenção, execute:
sudo journalctl –vacuum-time=7d
O parâmetro 7d indica que apenas os sete dias mais recentes serão mantidos. Você pode ajustar para 30d, 6months ou para um tamanho máximo, assim:
sudo journalctl –vacuum-size=500M
A limpeza reduziu o uso de disco para apenas 24 MB, de acordo com a fonte. Caso precise manter registros completos para auditoria, avalie mover esses arquivos para uma partição dedicada ou para um servidor de logs.
5. Apagar miniaturas (thumbnails) antigas
Ao abrir uma pasta com imagens, o Nautilus (ou Nemo, no Mint) gera miniaturas em segundo plano e as armazena em ~/.cache/thumbnails. O mecanismo acelera futuras visualizações, mas não sabe quando aquele JPEG ou PNG foi deletado. Em poucos meses, o cache de miniaturas pode explodir.
Medindo o diretório:
du -sh ~/.cache/thumbnails
Imagem: (Imagem/Reprodução)
O autor do artigo encontrou 300 MB de dados redundantes. Para limpar tudo:
rm -rf ~/.cache/thumbnails/*
Recriar miniaturas demanda segundos quando você revisitá-las, compensando a economia de armazenamento. Após a limpeza, o diretório caiu para simbólicos 4 KB.
6. Identificar e excluir arquivos duplicados
Documentos, músicas e imagens salvos em pastas diferentes, mas com conteúdo idêntico, são vilões silenciosos do espaço em disco. Embora o Ubuntu não traga uma ferramenta padrão para detectar duplicatas, há utilitários leves e livres, como:
• fdupes
• rdfind
• dupeGuru
Instale o fdupes com:
sudo apt-get install fdupes
E procure duplicatas, por exemplo, na pasta Documentos:
fdupes -r ~/Documentos
Para deletar interativamente, utilize:
fdupes -rdN ~/Documentos
No cenário apresentado pela matéria, a remoção de duplicatas liberou 500 MB. Essa cifra varia conforme o perfil do usuário, mas sempre vale a inspeção em diretórios de download e bibliotecas de mídia.
Dicas avançadas de manutenção preventiva
Até aqui, cobrimos os seis comandos centrais da Limpeza profunda no Ubuntu. Contudo, a melhor maneira de economizar espaço é evitar o acúmulo. A seguir, algumas práticas para incluir no seu cronograma de administração.
Cron jobs para automatizar a limpeza
Você pode programar tarefas periódicas para rodar o apt-get clean e o journalctl –vacuum. Edite o crontab do root:
sudo crontab -e
E insira, por exemplo, o seguinte bloco para limpar o cache do APT toda madrugada de domingo:
0 3 * * 0 apt-get clean >/dev/null 2>&1
O >/dev/null assegura que mensagens sejam descartadas, evitando preenchimento desnecessário dos logs.
Particionamento inteligente
Em SSDs e NVMe de menor capacidade, separar /home de / e dedicar uma partição exclusiva ao /var impede que logs ou caches cresçam a ponto de afetar todo o sistema. Esse método também facilita reinstalações futuras sem perda de dados pessoais.
Monitoração em tempo real
Ferramentas como Baobab (Analisador de Uso de Disco) e ncdu fornecem visão instantânea das pastas que mais ocupam espaço. Instale o ncdu com:
sudo apt-get install ncdu
E execute:
sudo ncdu /
Além de relatório visual no terminal, o ncdu permite excluir arquivos diretamente, agilizando a higienização.
Cuidados antes de remover pacotes críticos
1. Backup sempre: utilize rsync, Timeshift ou snapshots do Btrfs.
2. Leia as dependências: o apt exibe a lista de pacotes a serem afetados; se houver bibliotecas do sistema, cancele.
3. Não apague kernels manualmente: deixe que o autoremove gerencie versões antigas.
4. Verifique serviços: servidores web, bancos de dados ou containers podem depender de arquivos que parecem “sobrando”.
Resultados práticos: quanto espaço você deve recuperar?
Somando os valores obtidos nos testes da fonte — 600 MB (APT), 1 GB (pacotes órfãos), 3 GB (logs), 300 MB (miniaturas) e 500 MB (duplicatas) — é plausível liberar cerca de 5 GB com meia hora de trabalho. Em servidores ou máquinas usadas há anos, já registrei limpezas de 10 GB a 15 GB, especialmente quando múltiplos kernels antigos e caches de navegadores entram na conta.
Impacto no desempenho
Embora ganhar espaço seja a motivação óbvia, há ganhos secundários:
• Atualizações mais rápidas: menos pacotes significa menos downloads e menos arquivos para descompactar.
• Boot e shutdown acelerados: menos kernels e logs agilizam leitura no início e no fim da sessão.
• Menor desgaste do SSD: menos escrita prolonga a vida útil da unidade.
Conclusão
A Limpeza profunda no Ubuntu não precisa de aplicações gráficas elaboradas nem de scripts complexos. Com seis comandos, é possível remover gigabytes de dados desnecessários, garantir um sistema mais responsivo e postergar o investimento em upgrades de armazenamento.
Implemente as boas práticas preventivas sugeridas, automatize o que for seguro e inclua a revisão manual no seu calendário — uma verificação trimestral costuma bastar para a maior parte dos usuários domésticos. Em contextos corporativos ou servidores críticos, monitoramento contínuo e políticas de log mais rígidas são recomendáveis.
Lembre-se: espaço livre hoje significa tranquilidade amanhã. Comece agora mesmo, teste cada comando individualmente e desfrute de um Ubuntu enxuto, rápido e preparado para novos desafios.
Com informações de How-To Geek