Android 17 Beta 2 novidades multitarefa chegam aos smartphones e tablets da linha Pixel com uma proposta ousada: renovar a forma como interagimos com aplicativos em múltiplas telas e, ao mesmo tempo, reduzir o atrito entre dispositivos. A Google liberou a segunda pré-via apenas sete dias depois da primeira, sinalizando pressa em refinar recursos cruciais antes do lançamento estável previsto para o segundo trimestre de 2026.
Com foco em produtividade, a atualização apresenta o modo “Bubbles” — que transforma aplicativos em janelas flutuantes — e o inédito Handoff API, pensado para permitir que uma tarefa iniciada no celular seja retomada no tablet ou em qualquer outro aparelho Android. Essas inovações vêm acompanhadas de pequenas, porém relevantes, melhorias em permissões, seleção de contatos, suporte a Unicode 17 e ajustes de usabilidade que apontam para um ecossistema mais coeso.
O que muda com o modo Bubbles
O conceito de janelas flutuantes não é exatamente novo no universo Android. Houve tentativas anteriores: as “Chat Heads”, do Facebook Messenger, e, mais recentemente, as “bubbles” exclusivas para notificações de conversa introduzidas no Android 11. A diferença agora é a abrangência. Em Android 17 Beta 2, qualquer app compatível com multijanela pode virar uma bolha.
O processo é simples: basta pressionar longamente o ícone do aplicativo no launcher. Em vez de abrir em tela cheia, a interface surge como se fosse um mini-desktop, permitindo redimensionar, mover e encaixar na barra de tarefas — elemento predominante em tablets e dobráveis. Ao minimizar, o programa se converte em um círculo flutuante que repousa em uma área dedicada da taskbar, pronto para ser acessado a qualquer momento.
Essa abordagem aproxima a experiência do que vemos em sistemas operacionais de PCs, como Windows e macOS, onde múltiplas janelas convivem simultaneamente. Para quem trabalha com planilhas, gerencia e-mails ou edita fotos em telas amplas, a mudança promete ganhos reais de produtividade. Não à toa, fabricantes de dobráveis vinham pressionando a Google por soluções oficiais que dispensassem gambiarras de multitarefa.
Benefícios práticos para tablets e dobráveis
No formato smartphone tradicional, é provável que o usuário utilize poucas “bolhas” ao mesmo tempo, devido ao limite físico do display. Já em dispositivos com telas de 8 a 10 polegadas — ou em painéis de 7,6″ quando abertos, no caso dos foldables — o potencial cresce exponencialmente.
Imagine analisar uma planilha no Google Sheets enquanto consulta números em um documento do Docs, tudo isso mantendo o chat do WhatsApp à vista. Com Bubbles, o deslocamento entre essas tarefas fica menos dependente do menu de apps recentes e mais próximo da lógica “arrastar e soltar” típica do computador de mesa.
Do ponto de vista de design, o Google adotou uma estética minimalista, alinhada ao Material You: bordas arredondadas, sombras sutis e paleta de cores adaptativa. A fim de preservar desempenho, o sistema suspende recursos intensivos em segundo plano — como animações avançadas ou execuções de JavaScript pesadas — quando a janela perde o foco, equilibrando consumo de energia e fluidez.
Handoff API: inspiração na Apple, execução à moda Google
Se Bubbles resolve o multitasking local, o novo Handoff API ataca um problema diferente: a transição de fluxo de trabalho entre dispositivos. Quem já utilizou um iPhone emparelhado a um Mac reconhece a comodidade de copiar texto em um aparelho e colar imediatamente no outro ou, ainda, iniciar um e-mail no celular e finalizá-lo no notebook. Agora, a Google pretende não apenas igualar, mas ampliar esse conceito ao seu ecossistema.
Na prática, o Android 17 exibe sugestões contextuais no launcher ou na taskbar do dispositivo secundário. Suponha que você esteja lendo uma matéria no Chrome do smartphone e decida continuar no tablet. Assim que destravar o segundo equipamento, verá um atalho para “Retomar leitura no Chrome” com a aba exata. O mesmo vale para muito mais: uma conversa em mensageiro, uma planilha, um ponto específico de um vídeo no YouTube ou até um carrinho de compras em andamento na versão web de um e-commerce.
Segundo a Google, o segredo está no suporte duplo: “app-to-app” e “app-to-web”. Se o programa nativo estiver ausente no aparelho de destino, o usuário será redirecionado à versão web correspondente, assegurando continuidade. Essa flexibilidade é fundamental em mercados onde tablets Android ainda não contam com todos os aplicativos otimizados disponíveis em telefones.
Desenvolvedores: como habilitar o Handoff
Para participar do ecossistema, o desenvolvedor precisa integrar a nova biblioteca de APIs dentro do Google Play Services. Basta definir quais componentes de estado — como URL, documento, ID de conversa ou posição do curso de um vídeo — serão compartilhados. O sistema trata do resto, criptografando dados e exibindo as recomendações de forma segura para contas que utilizam o mesmo login Google.
A companhia reforça que não armazena permanentemente o conteúdo. O estado fica disponibilizado temporariamente em servidores, criptografado em trânsito e em repouso, expirando após intervalo configurável pelo próprio app. Analistas de privacidade veem a iniciativa como um movimento positivo, pois remove a tentação de solicitar permissões de sincronização excessivas para atingir funções semelhantes.
Melhorias adicionais que passam despercebidas
Além dos holofotes sobre Bubbles e Handoff, a versão beta esconde mudanças menores, porém valiosas:
Novo conta-gotas universal — Sem exigir permissão de captura de tela completa, aplicativos podem identificar cores de qualquer ponto do display. Designers ganham agilidade ao extrair paletas sem comprometer privacidade.
Touchpad refinado — O kernel agora interpreta gestos de clique e rolagem com latência reduzida, essencial para quem usa teclados com trackpad acoplado em tablets.
Unicode 17 — Suporte integral a novos emojis e caracteres, ampliando representação cultural e facilitando comunicação multicultural.
Permissão de rede local — Aplicações que descobrem dispositivos na mesma Wi-Fi (como smart TVs ou alto-falantes) passam a solicitar consentimento explícito do usuário, alinhando-se a exigências de transparência de Android 14 em diante.
Seletor de contatos nativo — Inspirado no Photos Picker introduzido em Android 13, o novo Contacts Picker permite ao app solicitar apenas um contato específico, em vez de acessar toda a agenda. É um avanço na abordagem “mínimo necessário”.
Imagem: Joe Fedewa
Comparativo histórico: evolução do multitasking no Android
Para entender a importância do salto promovido por Android 17, vale revisitar o passado. A união de janelas simultâneas começou timidamente em 2016, quando o Android 7 Nougat trouxe a divisão de tela (split screen). Embora funcional, o recurso era truncado e limitado a duas partes. A popularização de smartphones com proporções acima de 18:9, porém, abriu o caminho para expansões.
Em Android 10, o Google apresentou o “App Pairs” — piloto que permitia salvar combinações de dois apps para abertura rápida. O projeto não deslanchou de imediato, muito em virtude da carência de telas grandes no mercado. Foi só com a ascensão dos foldables, puxada pela Samsung e, mais tarde, pela linha Pixel Fold, que o debate sobre multitasking ganhou tração.
Agora, com Bubbles e uma taskbar mais inteligente, a experiência finalmente espelha desktops. Em vez de slots rígidos lado a lado, o usuário organiza livremente as janelas, sobrepondo, redimensionando ou ocultando conforme a necessidade.
Cenário de mercado: de desktops a dispositivos vestíveis
Analistas ouvidos pelo setor enxergam o Android 17 como parte de uma estratégia maior. De um lado, a Google trabalha para que o ChromeOS e o Android compartilhem cada vez mais código. Do outro, investe em APIs que unificam wearables (Wear OS), TV (Google TV) e automotivo (Android Automotive). O Handoff API surge, portanto, como vetor de integração horizontal: diferente de soluções proprietárias, ele buscará ser multiplataforma — qualquer fabricante poderá adotá-lo sem royalties.
Com isso, surge oportunidade para desenvolvedores monetizarem sua base: se o fluxo de uso se dispersa entre aparelhos, o engajamento diário tende a crescer. Para quem usa Google AdSense, por exemplo, uma sessão iniciada no celular e retomada no tablet pode render duas impressões de anúncio em vez de uma, sem que o visitante sinta quebra de continuidade.
Desafios e limitações atuais
Como todo beta, há instabilidades. Testadores da Pixel 8 Pro relatam que, em certas ocasiões, janelas Bubbles desaparecem após rotação de tela abrupta. Outros apontam consumo extra de RAM, algo esperado em primeira fase. Quanto ao Handoff, a adoção depende da boa vontade dos desenvolvedores: sem integração de cada app, o recurso ficará restrito às soluções da própria Google, como Gmail, Docs e YouTube.
Além disso, especialistas em segurança lembram que a sincronização de estado entre dispositivos pode ser vetor de phishing, caso autores de malware induzam o usuário a clicar em sugestões falsas. A Google garante que as recomendações são assinadas digitalmente e checadas pelo sistema Play Protect antes de aparecerem, mas reforça a necessidade de manter o bootloader bloqueado e atualizações de segurança em dia.
Passo a passo para experimentar a versão beta
1. Acesse o site oficial do Android Beta Program e faça login com a mesma conta Google do seu Pixel.
2. Selecione o dispositivo elegível — Pixel 6 em diante — e clique em “Participar”.
3. Aguarde alguns minutos: o update OTA surgirá em “Configurações > Sistema > Atualização do sistema”.
4. Baixe e instale. O arquivo tem cerca de 1,9 GB, dependendo do modelo.
5. Reinicie e teste Bubbles segurando qualquer ícone na tela inicial. Para o Handoff, abra um app compatível e desbloqueie outro aparelho logado na mesma conta.
Caso prefira um ambiente seguro, a Google mantém imagens do sistema para emulador no Android Studio. Assim, desenvolvedores conseguem validar ajustes de layout em diferentes tamanhos de tela sem arriscar dados pessoais.
Planejamento até o lançamento final
O ciclo oficial prevê três betas públicos antes do status “Release Candidate” em meados de 2026. A segunda versão, liberada agora, concentra novas APIs. A próxima (Beta 3) deve focar em estabilidade, com congelamento de comportamentos. Já a Beta 4, última etapa, servirá para correção de bugs críticos. A meta é disponibilizar a build estável ainda no segundo trimestre para parceiros como Samsung, Xiaomi e Motorola preparem suas interfaces personalizadas.
Para consumidores, isso significa que determinados aparelhos topo de linha de 2025 podem chegar às lojas já com o Android 17 de fábrica. Ao mesmo tempo, modelos mais antigos, como o Pixel 5, permanecerão em Android 16, pois a Google costuma limitar a janela de suporte a três grandes versões do sistema.
Impacto no ecossistema de aplicativos
Com multitarefa avançada e continuidade multi-device, a expectativa é que métricas de retenção de aplicativos corporativos melhorem. Ferramentas de CRM, editores de código e suítes de escritório tendem a ganhar relevância fora do desktop tradicional. Para quem depende de monetização via assinaturas ou anúncios, vale revisar a jornada do usuário: onde uma tarefa é pausada? Em qual tela ela é retomada? Mapear esses pontos ajudará a explorar novos espaços de publicidade sem comprometer experiência.
Do lado de games, a possibilidade de abrir guias de walkthrough em janela flutuante enquanto o jogo roda em tela principal é uma novidade bem-vinda em tablets. Contudo, desenvolvedores precisarão otimizar consumo de recursos para que as duas instâncias coexistam sem engasgos.
Considerações finais
A Google acelera o passo para transformar o Android em plataforma verdadeiramente convergente. Android 17 Beta 2 novidades multitarefa, ao lado do Handoff API, mostra que a companhia aprendeu com o sucesso da Apple em unificar hardware e software, mas busca diferenciação ao oferecer recursos amplamente acessíveis a parceiros de todas as faixas de preço.
Embora ainda existam arestas, principalmente no tocante à adoção por terceiros, o caminho soa promissor. Usuários ganham produtividade; desenvolvedores, novas APIs; e o ecossistema, mais coesão. Caso a estratégia se consolide, a partir de 2026 poderemos testemunhar um salto de usabilidade semelhante ao que o split screen representou em 2016 — desta vez, porém, impregnando todos os formatos de tela, dos vestíveis aos monitores 4K.
Resta acompanhar os próximos betas e torcer para que a inovação se mantenha centrada em privacidade e performance. Enquanto isso, quem tem um Pixel nas mãos já pode testar e sentir o gostinho do futuro do Android.
Com informações de How-To Geek