As Melhorias nativas no OneDrive Mac chegam para corrigir, enfim, o principal ponto fraco do aplicativo de nuvem da Microsoft no ecossistema da Apple: a interface. Após anos de críticas à aparência pouco integrada, a empresa confirmou um redesenho completo que incorpora Liquid Glass, transparências da barra de menus e diálogos macOS genuínos.
Anunciada em publicação oficial, a atualização já começa a ser distribuída na compilação 26.017 para participantes do programa Insider. Até aqui, não há alteração em requisitos de sistema ou no motor de sincronização, mas toda a experiência visual foi retrabalhada para se mesclar de forma orgânica ao macOS 13 ou superior, seja em Mac Intel ou Apple Silicon.
Por que o visual sempre foi um problema
Desde que o cliente do serviço chegou ao macOS, usuários relatavam uma convivência satisfatória com a sincronização, porém desconforto estético. O aplicativo cumpria a função de manter arquivos iguais em vários dispositivos, mas se destacava (negativamente) pela identidade Windows transposta quase sem adaptações. Botões, janelas e alertas destoavam do restante dos apps nativos, algo que incomoda especialmente a base de usuários Mac, acostumada a conformidade visual rigorosa.
O que muda na prática
O primeiro contato com o novo OneDrive acontece já na barra de menus do sistema. O ícone, ao ser clicado, exibe agora um painel 100 % nativo, com elementos translúcidos que respeitam a estética Liquid Glass introduzida pelo próprio macOS a partir da versão 26. A Microsoft manteve todas as informações essenciais nesse espaço compacto:
Status de sincronização: uma visão imediata do que está em dia e do que ainda está em fila;
Atalhos diretos: botões para abrir a pasta OneDrive no Finder ou acessar a lixeira;
Arquivos recentes: lista reunida em sub-menu, opção que pode desagradar parte do público, mas foi adotada para reduzir poluição visual.
Integração com recursos de acessibilidade
A adoção dos componentes genuínos do macOS garante compatibilidade plena com VoiceOver, leitor de tela padrão da Apple, e com a navegação via teclado. Antes, essas funções dependiam de contornos genéricos, menos confiáveis. Agora, cada item do menu, cada alerta e cada diálogo seguem o padrão que a comunidade de acessibilidade já domina.
Alertas e diálogos na linguagem do Mac
Outro ponto redesenhado é a exibição de avisos sobre exclusão de arquivos. O comportamento permanece idêntico: perguntar ao usuário se deseja realmente remover determinado item. A diferença reside no fato de que a janela passa a ser um diálogo genuinamente Mac, com título, botões e ícones que obedecem às diretrizes da Apple. O resultado é maior coesão e menor ruptura visual durante o fluxo de trabalho.
Mudou o motor de sincronização?
Não. A postagem da Microsoft deixa claro que o backend continua o mesmo, baseado nas APIs modernas de sincronia que a empresa adotou já há alguns anos. Esse motor foi ajustado para Apple Silicon em 2022, o que garantiu desempenho nativo em processadores M1, M2 e sucessores. Portanto, quem já estava satisfeito com a estabilidade da nuvem não terá surpresas; a novidade concentra-se na experiência de uso.
Requisitos de sistema permanecem inalterados
Basta ter macOS 13 ou superior, rodando em chip Intel ou Apple Silicon, e manter a pasta OneDrive em volume APFS. Não houve, nesta fase, qualquer mudança que exija reinstalação completa ou migração de dados.
Etapas da liberação
• Fase Insider: a compilação 26.017 já pode ser testada por usuários inscritos no canal de pré-lançamento.
• Correção de bugs: depois de coletar feedback e resolver falhas críticas, a Microsoft planeja disponibilizar o app para o público geral.
• Liberado ao público: ainda sem data exata, mas a empresa costuma levar de poucas semanas a poucos meses para concluir esse ciclo.
Imagem: Corbin Davent
Detalhamento minucioso dos elementos renovados
1. Painel translúcido – utiliza APIs do sistema para assumir o efeito esfumado, permitindo que o fundo da área de trabalho e janelas subjacentes se insinuem por trás do painel.
2. Seletor de arquivos recentes condensado – desloca a listagem para sub-nível, liberando espaço no layout principal e reduzindo distrações.
3. Miniaturas de fotos e vídeos – sempre que possível, conteúdos multimídia aparecem com miniatura, facilitando a identificação instantânea.
4. Controles nativos de foco – o usuário pode percorrer opções com a tecla Tab, setas ou comandos VoiceOver, sem precisar de adaptações terceiras.
5. Diálogo de remoção de arquivo – substituição da antiga janela genérica por alerta que replica a semântica de modais do Finder.
O que permanece intocado
Apesar da repaginação, nada foi anunciado quanto a novos planos de armazenamento, ajustes em preços ou funcionalidades adicionais, como coautoria em tempo real diretamente do Finder. Também não há menção a integração com Stage Manager ou Vision Pro, tópicos sobre os quais parte da comunidade especulava, mas que não constam no anúncio.
Contexto histórico do redesign
A Microsoft declarou estar trabalhando “ao longo dos últimos anos” nessa reformulação. A demora tem explicação: o cliente original dependia de camadas multiplataforma, o que complicava a atualização de trechos visuais sem quebrar compatibilidade. A adoção de frameworks nativos exigiu reescrita significativa do código, mas abre portas para futuros aprimoramentos alinhados às convenções de cada plataforma.
Recepção inicial
O autor do artigo-fonte relata que não enfrentava problemas de sincronização havia anos, porém classificava a interface como “pouco atraente”. Agora, com o calcanhar de aquiles sanado, ele acredita que o OneDrive pode se tornar “uma das melhores opções de armazenamento em nuvem para Mac”. Essa frase resume o impacto potencial: um serviço já confiável, agora finalmente agradável de usar.
Comparativo rápido: antes x depois
Antes:
• Painel estático, sem translucidez;
• Botões de estilo Windows portados sem revisão;
• Acessibilidade dependente de mapeamentos manuais;
• Alertas genéricos, fora do padrão macOS.
Depois:
• Painel Liquid Glass, transparente e responsivo;
• Ícones e controles nativos de sistema;
• VoiceOver e atalhos de teclado funcionando via APIs oficiais;
• Diálogos alinhados ao restante do ecossistema.
Benefícios concretos para o usuário
1. Rapidez cognitiva – o cérebro identifica padrões visuais já familiares, reduzindo o tempo até encontrar a informação.
2. Cadeia de acessibilidade contínua – pessoas com deficiência visual navegam no OneDrive do mesmo modo que navegam em qualquer outro app Mac.
3. Menos fadiga visual – transições suaves e transparências evitam contraste brusco entre apps.
4. Padronização de atalhos – quem domina comandos globais do sistema pode aplicá-los diretamente, sem reaprender sequências específicas.
Próximos passos esperados
Ainda que não conste no material oficial, a própria decisão de reescrever elementos críticos em código nativo sugere que funcionalidades adicionais poderão ser agregadas com menos esforço. É razoável projetar novidades em automação (Shortcuts) e ajustes finos de notificações no futuro, mas qualquer especulação deve aguardar confirmações formais.
Conclusão
Com as Melhorias nativas no OneDrive Mac, a Microsoft soluciona o último grande obstáculo para quem já utilizava o serviço: a falta de coerência visual. Ao abraçar Liquid Glass, diálogos autênticos e suporte completo a VoiceOver, a empresa reforça compromisso com a experiência de quem trabalha em múltiplos sistemas operacionais. A atualização, em fase Insider, não altera requisitos nem o robusto motor de sincronização, mas redefine a forma como usuários percebem e interagem com seus arquivos na nuvem. Assim que chegar a todos, o OneDrive tem tudo para ocupar posição de destaque entre as soluções de armazenamento no macOS.
Com informações de How-To Geek