Os novos recursos produtivos do Chrome acabam de ser anunciados pelo Google e prometem facilitar a rotina de quem depende do navegador como ambiente principal de trabalho, estudo ou lazer. A atualização, que está em distribuição gradual para usuários de desktop, acrescenta três funções muito aguardadas: modo de tela dividida nativo, marcação de PDFs sem necessidade de aplicativos externos e salvamento direto de documentos no Google Drive.
As novidades surgem em um momento em que as tarefas digitais se multiplicam e o navegador se consolida como verdadeiro “sistema operacional” para muitas pessoas. Ao adotar essas melhorias, o Google responde a solicitações antigas da comunidade e encurta a distância em relação a rivais que já ofereciam soluções similares.
Neste artigo, detalhamos cada função, explicamos o contexto de mercado e mostramos por que essas mudanças podem impactar diretamente sua produtividade diária. Também abordamos o cronograma de liberação, as possíveis limitações iniciais e o que esperar dos próximos passos da gigante de Mountain View.
Por que o Google investe em produtividade dentro do navegador?
Desde o lançamento do Chrome, em 2008, a proposta do Google foi entregar velocidade, segurança e simplicidade. Ao longo dos anos, a empresa percebeu que usuários corporativos e domésticos passaram a abrir plataformas de streaming, suítes de escritório, ferramentas de videoconferência e até editores de código diretamente na janela do browser. Esse uso intenso justificou uma escalada de recursos voltados a produtividade, muitos deles apoiados em inteligência artificial ou na integração com o ecossistema Google.
Entretanto, a empresa vinha sendo criticada por priorizar funcionalidades impulsionadas por IA enquanto deixava de lado demandas “básicas”, como dividir a tela para comparar páginas ou anotar PDFs sem recorrer a softwares de terceiros. Com a chegada dos novos recursos produtivos do Chrome, o Google sinaliza que está atento às necessidades cotidianas e disposto a competir de forma mais agressiva em usabilidade.
1. Modo de tela dividida: duas páginas, um só guia
O destaque da atualização é o modo de tela dividida (split view), que permite abrir dois sites lado a lado dentro de um mesmo guia. Ao ativar a função, o usuário não precisará mais posicionar manualmente duas janelas do Chrome no desktop nem recorrer ao recurso de snapping do sistema operacional. Tudo acontece dentro de um único contêiner, reduzindo cliques e melhorando a organização.
Para facilitar o controle, um novo menu surge na barra de ferramentas. Nele é possível trocar rapidamente a posição dos painéis (esquerda/direita) ou separar as páginas em guias independentes. Nos testes internos do Google, professores relataram que o recurso agiliza a correção de trabalhos, pois conseguem manter a plataforma de gestão escolar e o documento do aluno visíveis simultaneamente. Estudantes, por sua vez, usam a divisão para assistir a vídeos no YouTube enquanto tomam notas, e desenvolvedores a empregam para consultar documentação ao codificar.
Embora a solução lembre o que já existe no Microsoft Edge, há diferenças. O Chrome ainda não abre links de um painel diretamente no outro, funcionalidade que a equipe de Redmond oferece. Já a alternativa Vivaldi, conhecida pelo Tab Tiling, aceita até quatro páginas em grade, algo que o Google não implementou. Mesmo assim, o split view representa avanço significativo para quem dependia de extensões ou truques do sistema operacional.
2. Marcação de PDFs: destaque e anotações sem sair do navegador
O segundo pilar dos novos recursos produtivos do Chrome é a capacidade de destacar trechos e adicionar notas a um PDF diretamente no visualizador nativo. A ausência dessa opção obrigava usuários a alternar para aplicativos externos – ou adotar navegadores concorrentes – toda vez que precisavam assinar formulários, corrigir provas ou simplesmente grifar passagens importantes de um contrato.
Com a atualização, basta selecionar o texto para que apareça o painel de destaque em diferentes cores. Um ícone de nota permite inserir comentários contextualizados, recurso valioso para revisores ou equipes jurídicas que trabalham de forma colaborativa. Terminadas as marcações, o arquivo pode ser baixado com as alterações embutidas, preservando a formatação original.
Edge e Firefox já ofereciam ferramentas similares, mas a adoção no Chrome tem peso especial pelo market share superior a 60% em computadores pessoais, segundo dados globais de uso de navegadores. Isso significa que milhões de pessoas poderão abandonar fluxos de trabalho fragmentados e centralizar o processo de revisão onde já mantêm seus favoritos, extensões e senhas salvas.
3. Salvamento direto no Google Drive: menos passos, mais nuvem
Fechando o trio de novidades, o Google adicionou um botão “Drive” no canto superior direito do visualizador de PDFs. Ao clicar nele, o documento é transferido imediatamente para a pasta “Saved from Chrome” dentro da sua conta na nuvem, mesmo que o cliente de desktop do Drive não esteja instalado.
A simplicidade do fluxo atende à filosofia do Google de reduzir barreiras entre conteúdo online e armazenamento na nuvem. Para equipes que trabalham em diferentes computadores – por exemplo, no escritório e em casa – o recurso diminui o risco de perder documentos importantes em diretórios locais ou anexos de e-mail.
Como consequência, o Chrome se fortalece como ponte direta entre navegação web e produtividade baseada em Drive, consolidando o ecossistema da companhia e estimulando a adoção de outros serviços, como o Google Workspace.
Como ativar e quando as funções chegam a todos
O Google informou que as novidades estão “em distribuição” para as versões de desktop, sem detalhar se exigem compilação específica. A empresa iniciou a liberação ampla do Chrome 145 em 10 de fevereiro, enquanto o Chrome 146 só terá lançamento completo em 10 de março. Nos testes realizados pela equipe do site How-To Geek – fonte original das informações – as ferramentas de marcação em PDF já funcionavam na compilação 145, ao passo que a tela dividida e o salvamento no Drive ainda não apareciam.
Isso sugere rollout escalonado, prática comum do Google para detectar possíveis bugs antes de chegar a 100% dos usuários. Caso as opções ainda não estejam visíveis, vale reiniciar o navegador, checar se há atualização pendente em “Ajuda > Sobre o Google Chrome” e aguardar alguns dias. Como não se trata de recurso baseado em servidor (server-side), a liberação depende essencialmente do canal estável do aplicativo.
Impacto no fluxo de trabalho: cenários práticos
A adoção dos novos recursos produtivos do Chrome pode gerar ganhos tangíveis em diversos contextos. Confira exemplos:
Educação: Professores podem corrigir trabalhos em formato digital enquanto consultam rúbricas ou plataformas acadêmicas na mesma janela, evitando troca constante de aba e otimizando tempo de aula.
Programação: Desenvolvedores ganham flexibilidade para ler guias de API e aplicar código simultaneamente, aumentando a concentração e reduzindo distrações de janelas sobrepostas.
Marketing Digital: Profissionais que analisam dados em tempo real podem comparar dashboards lado a lado, acompanhando métricas em uma metade da tela e atualizando relatórios na outra.
Jurídico e Compliance: A marcação nativa em PDF elimina a necessidade de softwares pagos, acelerando revisões contratuais e garantindo que comentários permaneçam centralizados no arquivo.
Pequenos Negócios: Empreendedores que emitem notas fiscais eletrônicas e, ao mesmo tempo, controlam planilhas de custos se beneficiam do split view para inserir valores sem alternar janelas.
Comparativo com rivais: Chrome, Edge, Firefox e Vivaldi
A guerra dos navegadores ganhou força nos últimos anos, impulsionada pela adoção do Chromium como base de código aberto utilizada por Chrome, Edge, Opera, Brave e Vivaldi. Ainda assim, cada companhia busca diferenciais.
Microsoft Edge: Foi pioneiro ao introduzir o modo de tela dividida nativo e, mais recentemente, camadas de IA integradas ao Bing Chat. Possui anotações em PDF com suporte a caneta em dispositivos touch. A principal desvantagem é a menor integração com o ecossistema Google.
Imagem: Corbin Davent
Mozilla Firefox: Mantém motor próprio (Quantum) e testes de split screen no programa experimental Firefox Nightly. Oferece anotações em PDF há algum tempo, porém enfrenta desafios de participação de mercado.
Vivaldi: Conhecido pela customização avançada, permite agrupar guias em mosaicos de até quatro colunas ou linhas. Todavia, a base de usuários é reduzida, o que impacta suporte de extensões e parcerias.
Google Chrome: Com os novos recursos produtivos do Chrome, o navegador minimiza lacunas frente aos concorrentes enquanto mantém vantagens de sincronização de conta Google, amplo acervo de extensões e atualizações frequentes.
Questões de privacidade e segurança permanecem em foco
Embora as melhorias de usabilidade sejam bem-vindas, analistas destacam que o Chrome continua alvo de debates sobre rastreamento de dados. O Google concluiu recentemente a fase de testes do “Privacy Sandbox”, iniciativa que pretende substituir cookies de terceiros por APIs de publicidade menos invasivas. No entanto, ONGs de privacidade alegam que o modelo ainda concentra poder nas mãos da empresa.
Nesse cenário, cada ganho de produtividade precisa equilibrar conveniência e proteção de informações sensíveis. A marcação de PDFs e o salvamento no Drive, por exemplo, multiplicam documentos armazenados na nuvem do Google, o que reforça a necessidade de autenticação em duas etapas e políticas de acesso adequadas.
Como os desenvolvedores podem aproveitar as novidades
Para criadores de extensões e web apps, o modo de tela dividida abre oportunidades de integração, como atalhos para enviar conteúdo de um painel ao outro. Já a nova API do visualizador de PDFs – ainda sem documentação pública detalhada – deve permitir que plugins de assinatura digital ou criptografia interajam de maneira mais transparente com o arquivo aberto.
Empresas SaaS que fornecem serviços de RH, contabilidade ou e-learning podem ajustar tutoriais e fluxos de onboarding para refletir os novos recursos produtivos do Chrome, reduzindo barreiras de adoção e melhorando a experiência do usuário final.
Próximos passos: o que esperar nas futuras versões
O histórico de lançamentos do Google indica ciclos de seis semanas para grandes releases. Assim, é provável que o Chrome 146 traga refinamentos nos três recursos apresentados, além de corrigir falhas detectadas na fase inicial.
Possíveis evoluções incluem:
– Links cruzados no split view: permitir que cliques em um painel abram automaticamente o conteúdo no outro, recurso presente no Edge;
– Mais opções de layout: além da divisão 50/50, versões assimétricas (70/30, por exemplo) podem atender monitores ultrawide;
– Colaboração em tempo real nos PDFs: integração com o Google Docs para comentários simultâneos, mantendo o arquivo em Drive;
– Suporte oficial a extensões no modo dividido: garantindo compatibilidade de bloqueadores de anúncios e ferramentas de produtividade em ambas as metades.
Dicas rápidas para aproveitar ao máximo
Atualize o Chrome: Acesse “Ajuda > Sobre o Google Chrome” e verifique se está na versão 145 ou superior.
Teste o split view: Abra qualquer página, clique com o botão direito na guia e selecione “Dividir em tela” (ou opção equivalente quando traduzida para o português).
Personalize as anotações em PDF: Experimente cores diferentes para destacar passagens e use notas para inserir lembretes específicos.
Aproveite o Drive: Após salvar o documento, compartilhe o arquivo diretamente da nuvem, definindo permissões de acesso conforme necessidade.
Conclusão: pequenas mudanças, grandes resultados
Os novos recursos produtivos do Chrome mostram que, mesmo após uma década de liderança no mercado, o Google precisa evoluir para acompanhar expectativas de eficiência. A combinação de multitarefa simplificada, edição de PDF embutida e integração direta com o Drive pode parecer incremental, mas na prática elimina atritos que, em uma jornada de trabalho, somam minutos preciosos todos os dias.
Para usuários que já consideravam migrar para Edge ou Firefox em busca de ferramentas avançadas, a atualização funciona como argumento de retenção. Para quem adota plataformas SaaS, a redução de etapas entre navegação e armazenamento reforça a escolha do Chrome como hub central.
Resta acompanhar se o Google vai manter o ritmo de melhorias centradas no usuário, equilibrando inovação em IA com demandas básicas, porém essenciais, de fluxos de trabalho modernos. Por ora, vale atualizar o navegador, explorar cada novidade e medir o impacto real na sua produtividade.
Com informações de How-To Geek