Ubuntu TV fracassou, mas Linux conquistou quase todos os smart TVs

Em 2012, a Canonical apresentou o projeto Ubuntu TV com a promessa de levar o mesmo sistema operacional que conquistara os desktops para as telas da sala de estar. O produto nunca chegou às lojas, mas, ironicamente, o Linux acabou se tornando dominante nos televisores inteligentes por caminhos bem diferentes.

Canonical queria repetir nos televisores o sucesso do Ubuntu no desktop

Na virada de 2011 para 2012, o Ubuntu era a distribuição de Linux mais popular em PCs, e a Canonical decidiu que era hora de expandir o sistema. Além de PCs e servidores, a companhia planejava versões para netbooks, tablets, smartphones e TVs. Para acomodar tamanhos de tela tão distintos, foi criada a interface Unity, concebida para se adaptar automaticamente a cada dispositivo.

Unity nasceu como base para uma experiência “única” em PCs, celulares e TVs

Lançado inicialmente no Ubuntu Netbook Remix em 2010, o Unity virou padrão da distribuição em 2011 e ganhou sua primeira edição de suporte prolongado (Ubuntu 12.04 LTS) em 2012. A ideia era simples no papel: o mesmo aplicativo escrito para o Ubuntu se ajustaria a um mouse, a um toque de dedo ou ao controle remoto do sofá sem precisar de versões diferentes.

Protótipo exibido na CES 2012 era só um clique-demo em monitor de PC

No estande da Canonical na CES 2012, visitantes viram uma demonstração onde séries e filmes apareciam integrados à interface, dispensando apps separados. Entretanto, tratava-se apenas de uma animação interativa rodada em um computador. Representantes da empresa diziam negociar com fabricantes de TV, mas nenhum acordo avançou e nenhum modelo com Ubuntu TV foi lançado.

Desenvolvimento simultâneo de display server e formato Snap drenou recursos

Para que a convergência funcionasse, a Canonical decidiu reescrever o Unity do zero, criar seu próprio servidor gráfico (Mir) e ainda um novo formato de empacotamento de aplicativos (Snap). O acúmulo de projetos custosos, aliado ao interesse tímido da indústria — a lista de discussão do Ubuntu Phone tinha mais de 100 vezes o tráfego da de TV —, fez o plano perder tração.

Fim oficial chega em 2017 junto com o adeus ao Unity nos desktops

Em abril de 2017, o fundador Mark Shuttleworth anunciou que o Ubuntu voltaria a usar o GNOME e interromperia o desenvolvimento do “shell de convergência” para celulares. Ubuntu TV não foi citado, mas já era consenso de que estava morto. Fóruns perguntavam “o que aconteceu?” desde 2013.

Mesmo sem Ubuntu, Linux reina nos bastidores das smart TVs

Embora a Canonical tenha falhado, o kernel Linux está em praticamente todos os televisores inteligentes atuais — só que escondido sob interfaces fechadas. Três plataformas dominam o setor.

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Imagem:  Lucas Gouveia

WebOS: de sistema da Palm para smartphones a carro-chefe dos televisores LG

Criado em 2009 para o Palm Pre, o webOS passou pela HP e acabou comprado pela LG em 2013. Hoje equipa TVs e monitores gamers da marca. Existe até uma “Open Source Edition”, mas os aparelhos à venda continuam tão fechados quanto a concorrência.

Tizen mantém a independência da Samsung desde 2015

Derivado do MeeGo — fusão de projetos da Intel, Nokia e Samsung —, o Tizen equipa todos os televisores da Samsung há quase uma década e já apareceu em relógios Galaxy. A base é aberta, mas a interface que o consumidor vê permanece proprietária; em 2024, ela ganhou elementos do One UI dos smartphones Galaxy.

Android TV e Fire OS fecham o cerco: quase todo o resto usa núcleo Linux

Modelos que não trazem webOS ou Tizen geralmente rodam Android TV ou Google TV, variantes do sistema do Google que também se apoiam no kernel Linux. O Fire OS da Amazon, outro desdobramento do Android, seguirá caminho próprio com o futuro Vega OS — que, adivinhe, também é Linux.

Controle do usuário segue limitado, apesar da base aberta

A grande promessa do Ubuntu TV era dar ao consumidor a mesma liberdade que se tem ao instalar pacotes no próprio PC. Uma década depois, o Linux está onipresente nos televisores, mas continua inacessível para quem gostaria de personalizar profundamente o aparelho.

Fonte: How-To Geek

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